Uma amiga me perguntou se eu não sentia medo de um dia me arrepender do que escrevo no blog, no caso de mudar de ideia quanto às minhas opiniões. Eu respondi convicto: não, não vou mudar de opinião.
Que burro. Pois já mudei. E percebi que mudo toda hora. Que por mais que o assunto seja bem simples e eu tenha bastante conhecimento, eu posso acabar mudando de ideia. A gente é assim.
Eu quero dizer
Agora, o oposto do que eu disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Eu vou lhe desdizer
Aquilo tudo que eu lhe disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Esses trechos da música do Raul exemplificam muito bem isso. Apesar de se tratar de poesia, falam exatamente do que acontece com a gente. E provavelmente esteja aqui uma grande virtude do ser humano.
É uma espécie de evolução. Pois pra mudar de ideia, tem que ser flexível. Tem que olhar pelo outro lado. Tem que dar o braço a torcer. Nem que seja para si mesmo.
Acho legal deixar isso escrito. Talvez daqui 10 anos eu leia o que escrevi e ache ridículo. E talvez isso aconteça daqui 10 minutos. É aí que está a graça.
Como conversamos sobre isso, até resolvi deixar um comentário. Texto muito lúcido, porque acho realmente honesto admitir que todos temos uma certa relutância em admitir mudança de opinião. Muitas vezes parece fraqueza, parece desistência de argumentação.
ResponderExcluirMas não, e talvez aí resida um dos nossos mais frequentes enganos. Primeiro, porque só não muda de idéia quem não as tem. E, principalmente, porque simplesmente o ato de 'mudar de idéia' pode ser aquele estalo que precisávamos para desencadear algum processo de evolução.
O Fernando Pessoa diz que nós, homens, trazemos a 'alma sempre vestida'. É essa nossa alma vestida de tantas certezas que torna tão difícil darmos o braço a torcer. Mas é como o Douglas falou: pra isso, tem que ser flexível. Exige esforço, mas vale tentarmos o exercício. Se cada um de nós se fecha e percebe o mundo só segundo as suas próprias certezas, pouco se aprende e pouco se ensina. Aí é que mudar de opinião ganha mérito, pois nos dá a oportunidade do questionamento e, a partir dele, da transformação.
Me alonguei. é papo pra algumas originais. mas tem uma frase no grande sertão veredas que eu adoro e que acho que fecha bem com o texto acima:
"O senhor mire e veja: o mais importante e bonito do mundo é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas. Mas que elas vão sempre mudando".